Há algum tempo atrás, escutava pelo rádio uma entrevista do deputado federal José Otávio Germano com o radialista Antônio Carlos Macedo. Lá pelas tantas, o deputado tentou argumentar que jornalistas não podem perder a razão e se indignarem com casos como o do Detran, ao que Macedo respondeu que jornalistas também “não tem sangue de barata” para conviver com casos como este e não ficarem indignados, apesar do dever profissional de se manterem equidistantes. Embora diariamente vários casos nos irritem, não podemos e perseguimos sempre manter a isenção diante dos fatos.
Nesta semana, contudo, confesso que não consegui ficar equidistante em um caso. Senti enorme alegria ao ter o privilégio de poder cobrir e acompanhar o nascimento do primeiro bebê do Hospital Bom Jesus, de Taquara. É o primeiro de muitos e, ao menos isso é o que se espera, da retomada de um hospital que chegou ao fundo do poço e, pelo que representa para Taquara, não pode mais voltar um passo sequer para trás. Desde que faço reportagens para o Paranhana On-line, e isso já completou cinco anos, o Hospital de Taquara é pauta recorrente. Cobrimos e noticiamos o estopim que desencadeou uma verdadeira guerra entre administração municipal e direção do hospital. Falo daquelas reuniões em que era proposto o famoso conselho gestor, ainda em 2007.
Depois de nada ter sido feito, o Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremers) ameaçou: o hospital poderia ser fechado. Como pelo jeito nada foi feito, em 24 de junho de 2008 participei de uma das coberturas mais tensas que já fiz: a vistoria que determinou o fechamento do então Hospital de Caridade. Foi uma tarde em que a imprensa toda do Estado esteve em Taquara acompanhando a decadência do setor de saúde do município, em que três hospitais já chegaram a atender a população, antigamente. Após a interdição, muita coisa se passou e muito já se discutiu. Foram várias as idas e vindas e várias às vezes em que conseguimos dar luz e voz às discussões de bastidores. Depois das várias vezes em que discutimos e repercutimos em nosso noticiário o Hospital de Taquara, não deixa de representar muito para nós a oportunidade de noticiar o nascimento do primeiro bebê.
A personalização em uma instituição nunca é boa. Na verdade, os parabéns e o reconhecimento pelo feito vão à comunidade de Taquara. Muito se falou que ela não auxiliava o hospital, mas quando a casa de saúde chegou ao fundo do poço a comunidade colocou a mão na massa e realmente ajudou. Muitas vezes nos cobramos do que não fizemos pelo hospital, mas é certo que a comunidade taquarense muito atuou para que ele voltasse a funcionar, uns mais e uns menos. Por isso, tirando a disputa política que muito envolveu a questão hospital, quem ganha e quem está de parabéns no momento em que o hospital volta a funcionar é a comunidade taquarense. Que bom que seja assim!